Monday, April 10, 2006

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no Auditório Carlos Paredes
(Av. Gomes Pereira, 7 - Benfica)
de 6 a 15 de Abril - 21.30H



Argumento:

Uma noite de Maio de 1926. Elvira, uma jovem com aspirações artísticas, regressa a casa, vinda do Teatro Amaryllis, onde trabalha na bilheteira. Vem enebriada e transformada com o recital que assistiu pelo grande actor italiano Ricardo Bacchirri. E desse êxtase se deixa precipitar na melancolia, ao dar‑se conta que o seu quotidiano está muito longe das altas esferas da arte, que ela tanto almeja.

Elvira pressente, mas desconhece, que mais alguém habita aquela casa. Todas as noites, um dos seus objectos pessoais lhe parece ter sido deslocado, na sua ausência. Ali reside, de facto, desde o sombrio século dezassete, um espírito antigo: Dom Mystério, criatura que, não estando viva, também não está propriamente morta, amaldiçoado que fora por uma devadassi (bailadeira) enquanto desembargador na Índia . E esta noite, o lascivo Mystério tomará por presa a incauta Elvira.

A tudo isto observam, em contemplação, estudo e acção contida, dois emissários extra‑terrestres: Bento‑Rico e Bento‑Pobre — figuras com atitudes distintas, mas que perseguem o mesmo fim: que todas as coisas reconheçam a sua própria natureza. Mas para Elvira, uma verdade tanto mais o é quanto mais o seu contrário o demonstra.



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“Viver ou morrer?”

Durante a Expo ’98, a convite das companhias O BANDO e OLHO, participei como actor em “Inácio”, uma das máquinas‑espectáculo que integravam a “Peregrinação” — máquina essa, concebida por elementos do OLHO (João Garcia Miguel e Eric Costa, entre outros).

Este projecto alimenta‑se, por um lado, das memórias dessa experiência, na qual desenvolvi e interpretei a personagem já então denominada «Mistério» (figura que sugeria, vagamente, “O Enterro do Conde de Orgaz”, de El Greco), e do seu impacto no meu percurso artístico. Constitui, por outro lado, passados trinta anos sobre a revolução dos cravos, uma reflexão sobre a cultura portuguesa; para tal, auxiliei‑me de espólios documentais disponibilizados pela extinta Comissão dos Descobrimentos (“Actas do Conselho do Estado da Índia, 1618‑1632”) e pela Fundação Mário Soares (“Caricaturas no Diário de Lisboa, 1921‑1926”).

Na tentativa de criar um objecto artístico original, seremos ajudados por canções e imagens, num itinerário que se quer onírico, lúdico e, acima de tudo, comunicativo.

Karas








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ficha artística

Intérpretes (por ordem de entrada em cena):

Karas (Bento‑Rico, Ilídio Cunha)

Cristina Gonçalves (Bento‑Pobre, Irene Fonseca)

Vitória Horta (Elvira)

António Rodrigues (Dom Mystério, Renato Martins)

Música original: João Lima (guitarra portuguesa, programações).

Arranjos para piano: Nuno Morão.

Figurinos: Tânia Franco.

Grafismo, cenografia e iluminação: Gabriel Orlando.

Monitor de Técnica Vocal: Luís Castanheira.

Fotografia de cena: António Coelho.

Texto, encenação e produção executiva: Karas.

Espectáculo financiado pela Câmara Municipal de Almada (2004).

Duração: 90 minutos.

Agradecimentos: Olho, O Bando, Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (Projecto Ophir), Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares, Paulo Filipe, Joaquim Benite, Clay, T. S. Eliot, Sylvian & Fripp, António Zambujo, Raúl Brandão, Cecília Laranjeira e Pedro Cardoso.